Desconexão

O Planeta está parando? Não totalmente ainda! Pessoas ainda pensam, respiram, Conversam quando se vêem? Mas as comunicações estão em total pane! Pânico. Pânico? O Planeta está intelectualmente parado? Ou será que desta forma se pensa melhor? O Planeta não está inteiramente desconectado... Mas se ficar, como irá ficar todo mundo no mundo deste mundo virtual? Se pensarmos que muita gente só se conhece virtualmente, e, Que nem todos foram precavidos de dar mais dados,ou guardar dado... E agora os dados sumiram.? E-mails se transformando em “cartas” idas para buracos negros, Em que a memória racional vai precisar cobrir a virtual? Palavras ditas, ou escritas, Perdidas, sei lá aonde, por onde, pra onde... Entre espaços e buracos, brechas, Soluções ainda por vir? E se tudo se tornasse uma grande realidade real, ao invés a virtual? Neste caso... Para onde foram os casais virtuais? Para onde foi o grande amor, imortalizado pela rede? Para onde estão indo as notícias? Ah...o bom e velho rádio!!!! Do velho e bom mundo antigo!!!!! Conseguindo tudo de novo e novamente com todo sucesso! Chegando aonde nada chega e também aonde tudo chegava. Ah...o velho e bom correio.. Conseguindo novamente inovar o velho, Será?... Cartas esperadas com ânsia e ansiedade. Ansiedade da espera. Da espera demorada. Dias, dias e dias... E um belo dia um ser humano, chamado carteiro, Trás a carta. Aberta com envelope rasgado às pressas... Trará as notícias de longe, bem longe..ou não muito longe. Ações esquecidas. Ações...Pegar o papel,... cobri-lo com idéias em tinta, Correr até o correio mais próximo, Fazer isso no mesmo dia e após isso, esperar os dias, as horas. Horas e dias preciosos, ansiosos. -Será que já chegou minha carta? O inusitado ato da surpresa, voltando. O tempo assim se multiplicando...Ou se “demorando”? Como é possível saber? Palavras enviadas por navio, ou” Via Air Mail”, Recordação, ou ação no futuro próximo tão próximo, desde agora? Passado remoto num presente assustador? Se a solução vier? Deve vir...mas Imagine o mundo de hoje no amanhã...sem o futuro esperado: Como vai ficar o passado de encontro ao futuro? Ou melhor, como fica o futuro se reencontrando com o passado? Como vai ficar a situação do passado reinando no futuro? Um futuro do qual se imaginava mais, sempre mais... (sempre foi assim) Agora estagnado, revolto? Podendo ser menos? Como vão ficar as lembranças, sendo repostas? Usadas como se não novas, presentes?Mera reposição de peças? Como ficará nossa “Grande Nave”? Como vai ficar o mundo sem a REDE? Que à tudo e à todos “ abraçava”? Completamente livre como era? Num demorar gostoso, surpreendente? Num encontro sempre real, com hora e local marcados? Num olhar nos olhos sem ser programado? Em palavras faladas timidamente pela presença olfativa do outro? Como ficará o mundo sem orkuts e Hi5s? Sem links? Sem informações, se não mentirosas, com certeza fantasiosas? Como irão ficar as palavras, que não poderão mais ser deletadas? Já que foram ouvidas, em tempo real para todos? Como ficarão os exatos mil quatrocentos e quarenta minutos do dia? Continuarão sendo poucos, muitos menos do que o necessário se fazia? Ou serão muitos mais que o necessário, pois, Afinal a espera fará parte da rotina diária já esquecida? A pressa cada vez mais apressada da tecnologia, Seria então trocada enfim pela calma da incerteza dos prazos, ( que já sabido de antemão não se cumpririam?) Ou será que o retroceder seria o caos total, O desespero dos indivíduos em geral por diversas razões e motivos? Os prazos então teriam que ser aumentados? Pelo menos corrigidos? Tudo perderia a hora, então a hora seria outra? Os minutos.. Continuariam estes com os seus sessenta segundos? Ou sairiam leis, com turnos, para que os prazos fossem assim respeitados? Teriam então o que todos sempre desejaram? Horas a mais no dia? Decreto sancionado por alguns? Seria o caos, ou a solução enfim? (dos seres humanos enfeitiçados pela vã tecnologia, escravos das máquinas), (que não querem mais obedecer a ninguém a não ser à elas mesmas?) Interessante imaginar tudo isso e muito mais... O ser humano novamente se deparando repentinamente com ele mesmo! Com ele mesmo e seus semelhantes! Como seria então o mundo neste retroceder progressivo? Teria enfim o “progresso esperado?” Prestariam mais atenção afinal uns nos outros? E suas reais necessidades? Ou se manteriam frios, sérios, e desconectados de TUDO??? Até deles mesmos?

Rosa Azul Imaginária

SE FOSSE POSSÍVEL ELA SABER

Ah...Se ela soubesse da quietude da vida sem ela. (Se ela soubesse) Aquele silêncio dos mortos e das covas. Aquela falta de vontade dos defuntos que estão frios Em plena decomposição. Já não tem mais perfume só mau cheiro. Já não tem alma, resquícios. Ah...E se ela soubesse como é difícil, se abstrair do mundo, E ainda viver. E guardar, e ter entalhes por toda profundeza. Se ela soubesse como é difícil ter que respirar dentro do caos, do sufoco, do abafado, Sendo sufocado pelo próprio corpo.Sem espaço, sem defesa, Talvez, só talvez não adiasse, não demorasse, não prorrogasse. Se ela soubesse da calma dos subterfúgios usados Para deixar de viver continuando aqui... Se fosse possível descrever o medo da inquietação. O terror da solidão... Das desculpas ardilosas que tenho que me submeter.. Se pudesse presumir os fatos como estão.. Se soubesse das feridas que não cicatrizam, Do calar. Do emudecer. Do silêncio mortal que se instalou em vida regrada... Dos jogos de não dizer a verdade, Das vistas grossas ao destino certo... Como tudo ruiu, desmoronou.... Ah...e se ela pudesse sentir... Perceber por qualquer dos sentidos. Por um só que fosse. Ter conhecimento... do estado de decomposição...que está instalado... Ah...se ela pudesse ao menos perceber, notar, Mesmo que não tivesse qualquer pena, qualquer pena ou mágoa, Ou nem mesmo um sentimento belo...Uma compaixão que fosse... Se ela pudesse transcender... Por um só momento.. O quanto a situação se tornou intolerável O quanto insuportável está sendo, Ficar trancada dentro daqui! Sufocada pelo próprio corpo, Aprisionada na própria alma... Emudecida, completamente morta. Tão diferente de quando ela aqui morava.... Ah...se ela soubesse da quietude da vida sem ela... Do aniquilamento que se instalou... Da minha prostração em vida. Dos momentos de espera sem retorno.... Da dor no corpo e na alma que urgente se faz partir. Dos medicamentos que não debelam a doença.. Ah...se ela soubesse o quanto o ausentar-se está me despedaçando. Sentir o quanto sua ausência está me destruindo, Talvez, sim,.porque..... ainda há um talvez...Ela pudesse começar a pensar em voltar.

Ciclos

Ciclos O botão da luz, O sonho desfeito, O coração partido, Sem nenhum jeito. A gente corre, corre. Corre, corre. Até que um dia para, Para, para. O sol nasce, Descansa. O dia renasce, Se cansa. Difícil saber quando a morte, (mera causalidade) Torna-se, de pecado, À total obrigação!

SONHOS

Meros instantes de fuga da realidade, Convites do inconsciente ao obscuro, À uma visão amena. Do não planejado. É perder-se na neblina da mente, No fator acaso, Na coincidência, Sonhos reais, Sonhos desfeitos. Viagens e passeios transcendentais, Frutos de vivências, Ou da imaginação. Perturbantes ou perturbadores, Calmos e edificantes, Enganadores, mas felizes, Irreais, ou vividos, Sempre sonhados!

DE NOITE

Debaixo do guarda-chuva, O vento continua soprando. Debaixo da escuridão, A luz continua entrando. Debaixo de sono profundo, A consciência continua andando. Tudo igual, Nada escondido, ignorado. Debaixo do manto da noite, O negrume é mera circunstância.

Gritos do Silêncio

Nem sempre o desequilíbrio resoa, Nem sempre o louco GRITA! Nem sempre o desequilibrado é barulhento. A loucura é por vezes pacata.. Calma! Quieta, muito quieta. Calada, muito calada. Muda. Eterno silêncio... Dentro do Silêncio, mil sons! Dentro da loucura muita dor. Dentro da dor mil gritos, Gritos no silêncio, Da loucura calma, Do desequilíbrio calado, Tudo invisível e quieto.

ESTÔMAGO

É o estômago que revira agora... (à estas alturas que importa isso... Ou aquilo?) É a comida que alimenta a boca grande, Que come tanto que o estômago dói. Mas isto é depois: De engolir o mundo, De estar em frangalhos, De tanto obedecer, De tudo rejeitar. Não se sabe se é a boca grande, que come muito, Então o estômago dói muito, Ou se é o estômago que dói muito e, A boca grande come muito, Para o estômago não vir a doer. Ou a boca grande engoliu tanto e tudo que agora tudo dói muito!

Aviso

“... estiquei a mão e puxei a malha no banco do carro, saltaram mil papeizinhos picadinhos, tão minuciosamente picadinhos, junto a um envelope todo decorado, que ainda por cima tinha o símbolo daquele triângulo com o terceiro olho, ( sabe qual né..)..não pude deixar de me espantar....Alguém estava querendo me contar algo. Havia o terceiro olho que me olhava expressivamente! Achei aquilo tudo suspeito...e estranho, voando à minha vista. Instintivamente recolhi tudo, coloquei rapidamente no envelope decorado, e enfie tudo no bolso da calça, o bolso de trás da calça, apressadamente. Aí vi você chegando lá longe, disfarcei, tudo super instintivo e imediato.Rápido como sempre é. Muitas vezes isso já tinha me ocorrido: fazer coisas instintivas e rápidas, como se não fosse eu agindo e sim alguma outra pessoa. (alguém estaria querendo me dizer algo?) Achei que sim.Com certeza sim. Vim voando e ansiosa para a perícia.Cheguei, me enterrei apresadamente no quarto, fechei a porta, louca de curiosidade, ainda não parecendo eu.Em perfeito transe... Enchi-me de paciência e comecei a separar os papéis como um grande e pequeno quebra-cabeça. Havia duas cores de papéis, uns mais azulados, os outros beges, mas a penumbra do quarto não ajudava em nada. Confundia. Cheques, se tratavam de cheques...e você deseja idéias de números para loteria: estava com muitos na frente, vários recortes com muitos números. Mas apenas um nome. E num pequenininho pedacinho, muito mínimo, diria uma tripinha, de papel sujo e meio dobradinho, um nome...a letra bem pequena..No papel bege. Mas um nome, o que é mais estranho que possa parecer, um nome completo! Sim,nome e sobrenome, tudo certinho, numa tirinha incrivelmente pequena de papel, do bege. Evidências...Realizada a perícia tudo poderia ser concluído, embora tantas dúvidas surgissem juntas, complexas e com certeza bem estranhas, ao mesmo tempo: óbvias. Fiquei longo tempo olhando pra tudo aquilo, eram como estrelinhas no céu, montes de papéis picadinhos...Alguns conseguiram encaixar...Outros sem lógica...Tal qual a vida...ficaram soltos, solitários, sozinhos. Peguei o pequeno nome, dobrei. Ficou bem menorzinho. Quase nada agora. Tranquei-o numa pequena caixinha de jóias, linda, vinda do Cairo, presente de uma tia. Antiga. Está lá ainda. Misterioso e conclusivo recado de Deuses?”

Ditadura Obscura

Querem todos que se viva em perfeita escuridão. Ou em névoas de penumbras. Acham todos que a visão deve falhar, faltar. Assim como a mente deve permanecer insonsa. Corroída como em doença grave. Manter o corpo inerte, mas saudável. Dissimular. Permanecer quieta e inteligente. Ignorar da perícia: os resultados. Das revelações da vida como se alguém sobrasse em seus ouvidos: Não reconhecer os atos óbvios. Ocultar de si mesmo os sentimentos revelados. Abstrair, desprezar o mais puro dos sentidos. Debandar da própria realidade embaraçada. Querem todos que nada os aborreçam. Que as bocas se mantenham unidas apertadamente. Que os lábios escancarem em sorrisos largos: Meigos, sinceros, e surdos. Querem todos o fingimento explícito: Daqueles que engana à todos. Querem viver na neblina densa e cinza: Em dia claro e ensolarado. Querem suportar o destino cruel, Sem queixas, sem zangas, sem reclamações. Sem ao menos mágoas. Querem desprezar o presente, Especulando futuro incerto. Querem que acreditemos em lorotas e mentiras baratas. Conscientes da realidade exclamativa. Querem que sequemos ao relento, Queimemos no fogo do não ser, Do não saber, do não sei, E nada mais... Desde que permaneçamos quietos e não incomodemos, Deste modo podemos ficar, e usufruir o tempo que nos resta!

DESCASO

Você que me ensinou a sorrir, Que me ensinou até mesmo a rir, Você que abriu as cortinas, Que escancarou as janelas, Fez o vento entrar por elas... Você,que tão bem e tão mal me fez, Agora, sem mais nem menos resolve partir... Se ir. Deusa da impaciência, Amada do imprevisível, Dona do seu nariz, Me fez feliz quanto quis, Agora resolve partir, Sumir. Fechou as janelas, Cerrou as cortinas, Apagou a luz, E se foi. Levou meu sorriso, Meu riso morreu. Meu ar se esgotou, Meu corpo parou. Minha alma sofreu, Você nem ligou.

Ana Acquesta

Ana Acquesta
Ana Acquesta